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Todas as tribos

Christoph, o poliglota

Christoph, o poliglota

Hoje fiz as duas primeiras entrevistas para o livro, ambas aqui en Windhoek. Uma com um mecanico de bicicletas de 29 anos, que fala ingles fluente, Afrikaner (a lingua do Apartheid, idioma oficial na Namibia ate a independencia do pais em 1990, e a lingua da Africa do Sul depois do ingles) e Rukwangali, a lingua nativa da tribo dele, que fica em Kavango, no norte do pais. Se fosse nosso conterraneo, Christoph seria um malandro baiano. E trabalhador, mas devagar se vai a longe. Falador, mas fala baixo e pausado. E da treinamentos em mecanica de bicicletas em toda a Namibia, porque, poliglota e boa gente, cobre as diferencas culturais e etnicas do pais inteiro.

Ja o segundo entrevistado era uma figura. Um homem grande mas que parece meio incomodo todo o tempo. Sorriso meio bobo, abertao, meio acanhado, meio timido. Com 34 anos e aparencia de 43, Teofelos ficou meio no limbo. Ate completar 14 anos o idioma oficial era o Afrikaner, que ele nao aprendeu porque saiu da escola. De la para ca, virou o ingles, que ele tambem nao fala e entende pouco. Teofelos pertence ao grande grupo etnico conhecido como Owambo, que abrange sua tribo, os Ndonga, cujo idioma e Oshindonga, que e a unica lingua que ele fala fluentemente.

Enfim, a segunda entrevista era um desafio extremo.

Para minha surpresa, Christoph, o poliglota, serviu de interprete. Mas teoricamente ele nao fala Oshindonga.

Foi quando Clarisse me explicou que cada tribo tem seu idioma ou dialeto, mas que duas pessoas de tribos distintas podem comunicar-se com bastante comodidade. Obviamente ela nao sabe como, mas acredita que todos devem ter palavras muito parecidas. Achei estranho porque sao 13 etnias diferentes reconhecidas, 5 idiomas fora o ingles e o Afrikaneer e, dentro desses 5 idiomas, ha varios dialetos. Como e que esse povo todo pode se entender, minha gente?

Enfim, hoje trabalhamos tanto que deixei essa questao de lado, ao menos de momento. Com certeza ela vai ressurgir como uma bomba quando eu estiver no meio das tribos de Owamboland ou no Kavango, mas vou deixar para solucionar essa questao comunicacional in loquo, se e que havera solucao.

Em tempo: bicicleta em Oshindonga e Baskera.

E, apesar de nao querer romper a magia do imaginario popular, as pessoas que vivem fora das suas tribos se vestem como a gente.

CategoriasUncategorized
  1. Karen
    agosto 28, 2009 às 5:27 pm | #1

    Minha amiga! Você foi mesmo, que incrível!!!!
    Já li tudo, estou adorando!!!!
    Duas amigas minhas estão aqui do meu lado assistindo ao programa “No Limite”, lembra dele? Pois é, voltou. E eu disse pra elas: “Vocês tinham é que estar lendo o blog da minha amiga! Isso é que é aventura de verdade!!!!” rsss
    Adorei a reação da tia Irany, essas mães sempre nos surpreendendo! hahah
    E me toquei tb que esqueci do seu aniversário quando li que vc está com 34 anos, me desculpa!!! Aproveito então pra te desejar tudo de bom na sua vida, e que você continue com essa garra de sempre!!! Te admiro muito!!!
    Cuide-se!! Estaremos te acompanhando pelo blog.
    Beijos beijos beijos!!!!!

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