Em rio que tem crocodilo, jacare nada de costas

setembro 6, 2009 giselenetto 2 comentários

era esse o ditado?

Enfim, segue uma foto: Markus, eu, Beatilda e outro menino que nao sei o nome na frente do Rio Kavango, com Angola ao fundo.

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E uma outra dos hipopotamos no meio do rio.

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Nkurenkuru rules

Nkurenkuru de um lado

Nkurenkuru de um lado

No dia seguinte, segunda-feira, acordamos cedaco (Selma tem um galinheiro na frente dos quartos e o galo nao parava de cantar) e fomos para o projeto.  Conheci Markus e Beatilda, figuracas que sao os que trabalham na loja de bicicletas que a Ben namibia (a ong para a qual estou trabalhando) tem la.  Conhecemos a “loja” (na verdade sao uns containers com bicicletas doadas que vem de varias partes do mundo e sao “jogados” em qualquer lugar) e depois fomos ate a clinica da cidade. markus nos mostrou a igreja luterana que ele frequenta, entregamos as redes anti mosquito e depois fomos andando ate o rio Kavango. Esse rio cruza o norte da Namibia e e o que marca a fronteira com Angola. do outro lado voce ja esta no pais vizinho.

Acontece que no meio do rio volta e meia aparecem uns hipopotamos que moram por ali. O rio tambem tem crocodilos, mas as pessoas fazem tudo la: lavam roupa, nadam, tomam banho, enfim… Beatilda me disse que quando aparece um

Nkurenkuru do outro lado

Nkurenkuru do outro lado

crocodilo, ela simplesmente sai da agua e que da para reconhecer porque parece um tronco de madeira vindo na sua direcao.  E sorriu, como se fosse a coisa mais obvia do mundo. Uma amiga dela nao estava ligada e acabou perdendo uma parte da bunda e das coxas, por uma mordida. Achei surreal.

Nkurenkuru e simplesmente um nada. So tem um supermercado e todo mundo e negro. Enfim, todo o mundo. Entao e dificil nao chamar atencao numa cidade que e um ovo. Todo mundo sabe que ha brancos na cidade, quem sao os brancos e o que eles fazem ali. Eu andava pela rua e algumas pessoas, principalmente as criancas, nao podiam evitar ficar me encarando com curiosidade.  Era estranho.

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Mosquito Net

Chegamos no hotel da Salma, que e uma negra gorda super simpatica casada com um angolano que trabalha na fronteira. Ela e super considerada na cidade porque tem uma especie de hotel que sao 10 casinhas com banheiro privativo cada uma, a casa dela no meio e umas outras casasinhas tipo ocas espalhadas pelo terreno, que ela tambem aluga. Cada quarto tem luz eletrica, chuveiro, vaso sanitario que funciona, espelho e pia. Um luxo so! O meu quarto e Inspiracao Africa, com a colcha e a toalha com estampa de pele de bicho. Salma tem uma macaca morando em uma das arvores do “patio” da casa.

Namibi 3008 014Alem de estar tomando o remedio contra a Malaria, o complexo B e colocando repelente extra forte, decidimos colocar redes anti mosquito para dormir embaixo. Assim que enquanto escrevia isso estava na cama,o laptop ligado, numa especie de tenda anti mosquito. Obviamente nao havia conexao a internet, mas so de os celulares funcionarem ja estava feliz da vida.

No dia seguinte, depois de visitar o projeto e distribuir 120 redes anti mosquito no hospital da cidade, Salma prometeu um jantar com comida tipica kavango, cerveja e vinho de Angola. Estava ansiosa….

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Borderline

Namibi 3008 012A coisa mais absurda que rolou no trajeto foi que chegou um momento, logo depois de passar da cidade de Grotfontein, em que paramos num controle policial, uma especie de portao enorme com placas alertando: “Voce esta entrando em uma area com doencas e nao sei mais o que, be aware”. Estavamos saindo da “Namibia branca” e entrando na regiao do Kavango. A parte norte da Namibia e a mais populosa e pobre do pais, e tambem a que tem maior concentracao de negros. O portao e uma heranca da epoca do Apartheid, mas se mantem em pleno funcionamento. Disse Josh que na volta e provavel que facam com que a gente passe por uma especie de inseticida para os sapatos, porque os brancos de Windhoek nao gostam que as pessoas que pisam no Norte passeiem pela capital sem um “controle endemico”. Achei que ele tava me sacaneando, mas ele disse que nao, que e assim mesmo.

Seria como, sei la, colocar portoes de acesso para as entradas nas areas pobres do nordeste ou nas favelas do Rio. Se bem que ja tem gente construindo muro nas favelas, ne… O ser humano e capaz de tudo, e impressionante.

Passando da borderline, voce ve uma coisa surreal: as pessoas que moram na beira da estrada vivem numas casas de barro, teoricamente com varias geracoes no mesmo comodo, ou com pequenas casinhas de barro meio que em circulo. No meio, a noite, acendem um fogo para cozinhar e para ver, porque nao tem luz. Foi impressionante: da estrada dava para voce ver as pessoas sentadas em volta do fogo nas casinhas, varias pessoas amontoadas, varias fogueiras nas casinhas de barro. E os bares tambem sao nessas casinhas de barro, mas alguns tem luz eletrica. Mesmo na miseria, em alguns o forro tava comendo solto.

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On the Road

Mark (de preto) e Josh

Mark (de preto) e Josh

Domingo passado foi o primeiro dia de viagem. Terminei de fazer a mala na hora em que chegaram Josh e Mark, do Bicycles for Humanity, com quem estou viajando. Ambos vieram diretamente de Denver, Colorado, e estavam ansiosos por pegar a estrada.

Saimos de Whindoek as 14h30, e fizemos mais de 700km ate chegar a Nkurenkuru as dez da noite. Nkurenkuru nao esta no Google Maps, mas fiz um esqueminha para tentar explicar a lcalizacao. A cidade fica a 140 km a oeste de Rundu, que e uma cidade relativamente grande na regiao.

A viagem foi bastante tranquila. Josh e Mark sao gente boa. O surreal foi que assim que saimos de Windhoek vimos uns babuinos de um tamanho consideravel na beira da estrada. Depois, umas placas avisavam da presenca de javalis, e cara, tinha muito javali. E uns javalis sinixtros, com uma presas enormes, parecia coisa de Asterix e Obelix. Depois, uma familia de cabras cruzou a estrada. E por ultimo veados, muitos veados. E os veados sao super saltitantes, ne? Eles nao correm, saltam o tempo todo. Quase atropelamos um, mas Josh viu a tempo e deu para frear.

Nao deu para tirar foto de nada porque Josh e daqueles que nao diminui a marcha e estava preocupado porque iamos chegar muito tarde.

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I’m still alive

setembro 4, 2009 giselenetto 1 comentário

Impossivel escrever durante essa ultima semana: eu estava no meio do nada, uma coisa indescritivel. Mas vi elefantes, hipopotamos, girafas, antilopes, e uns bichos que eu nao sei o nome.  Foi incrivel.

Vou passar este fim de semana na casa da Clarisse em Windhoek – um pouco de civilizacao e sempre bom. Acho que na segunda-feira vou para a segunda parte da viagem. Tenho mil coisas para contar, vou atualizando o blog neste fim de semana.

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Dica do Alexandrino…

agosto 29, 2009 giselenetto 2 comentários

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A dama do lotacao

agosto 28, 2009 giselenetto 1 comentário

Uma das coisas que mais me chamou atencao aqui em Windhoek (pronuncia-se Winduk) e que o taxi nao e taxi, mas um lotacao. Acho que nao tinha visto isso em nenhum lugar do mundo. Achei estranho no primeiro dia porque os taxis passavam buzinando, perguntando se eu queria entrar (eles se comportam como as vans no Rio) e o carro nunca estava vazio. Mas e um carro, com sua plaquinha de taxi em cima e tudo o mais. E o preco e fixo: 7,5 dolares namibianos, aproximadamente 70 centavos de euro. Voce pode cruzar a cidade ou ir de uma esquina a outra, pelo mesmo valor. As vezes voce entra no taxi vazio e ele comeca a encher no caminho: mulheres com bebes, homens de terno, outros de chinelo. Enfim, como uma van mesmo. So que fica todo mundo apertado num carro, e muito estranho.

Nambia 26e2708 006Hoje visitei dois projetos fora de Windhoek. O primeiro e super interessante, se chama King’s Daughters, voltado para prostitutas e portadores de HIV. Ha duas ex-prostitutas que sao mecanicas de bicicleta, e parte da renda obtida com os consertos e vendas sao revertidos em um programa de apoio para prostitutas com Aids e tal.

A entrevista com Suzana, a prostituta que estava la, foi pessima. Ela nao fala ingles, so sei la eu que idioma, e era absolutamente monossilabica. Mas adorava uma foto, como voces podem perceber. Tinha um mecanico la, o Martin, que comecou como tradutor e acabou virando o personagem principal deste projeto. O menino tem 19 anos, ja participou de corridas de bicicleta e o idolo dele e o Lance Armstrong, que e uma super estrela do ciclismo mundial, para quem nao conhece. Fomos ate a casa dele para tirar as fotos e quando ele abriu a porta eis que me deparo com a seguinte cena: 10 pessoas amontoadas na salinha, vendo uma novela mexicana dublada em ingles na TV. Eram 4 adultos – 3 mulheres e um homem – e 6 criancas. Talvez eu tenha perdido a conta, mas segue a foto abaixo que nao me deixa mentir:

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Aquilo foi uma festa. Todo mundo super amavel, rindo, a gente falando sem se entender, as criancas passando a mao no meu cabelo, foi otimo. Fui tirar as fotos de Martin do lado de fora e ele tinha um montao de medalhas, um uniforme todo de ciclista, e estava amarradao no seu papel de modelo. Pelo menos esta estudando, espero que tenha sorte na vida.

OBS: As fotos do blog sao as feitas com minha camera amadora e horrivel. Guardo a camera boa que me emprestou minha amiga Mila e meu pouco talento e paciencia de fotografa para as fotos do projeto, que obviamente sao muito melhores. e eu nao apareco nas outras fotos, claro.  :) Espero que o livro saia de verdade, algumas fotos estao muito legais.

Nambia 26e2708 008No segundo projeto que visitei no dia foi que me deparei, imagino, com a tal pobreza que faz a Africa famosa em todo o mundo. O problema e que projeto estava numa favela horizontal, muito, mas muito parecida com a Cidade de Deus. Infelizmente para nos, nao me impactou tanto. Depois de quase 4 anos trabalhando no Viva Rio e visitando uma favela por semana, acho que ja vi coisa pior na nossa cidade. Aqui os barracos mais pobres sao de metal, como um pequeno conteiner. E eu ja vi no Rio gente morando em barraco de papelao.

Depois disso fui ao centro fazer coisas burocraticas, trocar dinheiro e tal. Amanha e o meu ultimo dia em Windhoek antes de comecar a viagem.

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Todas as tribos

agosto 27, 2009 giselenetto 1 comentário
Christoph, o poliglota

Christoph, o poliglota

Hoje fiz as duas primeiras entrevistas para o livro, ambas aqui en Windhoek. Uma com um mecanico de bicicletas de 29 anos, que fala ingles fluente, Afrikaner (a lingua do Apartheid, idioma oficial na Namibia ate a independencia do pais em 1990, e a lingua da Africa do Sul depois do ingles) e Rukwangali, a lingua nativa da tribo dele, que fica em Kavango, no norte do pais. Se fosse nosso conterraneo, Christoph seria um malandro baiano. E trabalhador, mas devagar se vai a longe. Falador, mas fala baixo e pausado. E da treinamentos em mecanica de bicicletas em toda a Namibia, porque, poliglota e boa gente, cobre as diferencas culturais e etnicas do pais inteiro.

Ja o segundo entrevistado era uma figura. Um homem grande mas que parece meio incomodo todo o tempo. Sorriso meio bobo, abertao, meio acanhado, meio timido. Com 34 anos e aparencia de 43, Teofelos ficou meio no limbo. Ate completar 14 anos o idioma oficial era o Afrikaner, que ele nao aprendeu porque saiu da escola. De la para ca, virou o ingles, que ele tambem nao fala e entende pouco. Teofelos pertence ao grande grupo etnico conhecido como Owambo, que abrange sua tribo, os Ndonga, cujo idioma e Oshindonga, que e a unica lingua que ele fala fluentemente.

Enfim, a segunda entrevista era um desafio extremo.

Para minha surpresa, Christoph, o poliglota, serviu de interprete. Mas teoricamente ele nao fala Oshindonga.

Foi quando Clarisse me explicou que cada tribo tem seu idioma ou dialeto, mas que duas pessoas de tribos distintas podem comunicar-se com bastante comodidade. Obviamente ela nao sabe como, mas acredita que todos devem ter palavras muito parecidas. Achei estranho porque sao 13 etnias diferentes reconhecidas, 5 idiomas fora o ingles e o Afrikaneer e, dentro desses 5 idiomas, ha varios dialetos. Como e que esse povo todo pode se entender, minha gente?

Enfim, hoje trabalhamos tanto que deixei essa questao de lado, ao menos de momento. Com certeza ela vai ressurgir como uma bomba quando eu estiver no meio das tribos de Owamboland ou no Kavango, mas vou deixar para solucionar essa questao comunicacional in loquo, se e que havera solucao.

Em tempo: bicicleta em Oshindonga e Baskera.

E, apesar de nao querer romper a magia do imaginario popular, as pessoas que vivem fora das suas tribos se vestem como a gente.

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Meu nome e trabalho!

agosto 27, 2009 giselenetto 6 comentários

Finalmente consegui colocar o blog em dia. E um resumo do que ta rolando, mas acho que o essencial ta ai.

Hoje, quarta-feira, dia 26, passei uma parte da manha fazendo isso. Foi feriado aqui na Namibia, assim que fomos ao supermercado a tarde (adoro ir ao supermercado em outros paises, fico horas olhando o que as pessoas comem) e depois eu e Clarisse ficamos em casa trabalhando no roteiro da viagem, nas pessoas que vou entrevistar e nas ideias para o livro.

Amanha comeca o batente das entrevistas. Vamos comecar com pessoas daqui da cidade, para depois ir a comunidades proximas (uma viagem de um dia, ida e volta) e depois vou viajar provavelmente durante umas tres semanas direto, cruzando o pais em direcao ao norte, ate chegar a fronteira com Angola pelo centro e depois a uma estreita faixa de terra entre Zambia, Zimbabwe e Botswana. Com sorte terei conexao a cada dois ou tres dias depois que comecar a viajar, dependendo das cidades mais proximas.

Segue outra foto do centro que tirei ontem, e que nao cabia no outro post.

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